
Quando se perde o encanto
Você já deve ter ouvido - e porque não falado - que fulano perdeu o encanto. E quando é que alguém perde o encanto para você? Quais são os seus limites? Até onde alguém pode ir sem frustrar suas expectativas?
Falei a palavrinha mágica: expectativa. Embora nós morramos sabendo que não devemos criá-la, quem é que suporta não cair nessa tentação? Quem é que não toma o seu objeto de interesse - amigo, amante, amor, ser admirado - seu ser encantado?
E a criamos e o que acontece? Balde d'água fria na cabeça!
Às vezes, a culpa não é só nossa, eu admito! Tem muita gente dissimulada por aí, que se vende por um milhão e acaba entregando alguns poucos centavos e é fato, contra esses, realmente não há remédio, mas já os demais não. Apostamos fichas em excesso e acabamos é endividados.
Assumo que me tornei um bicho bem do desconfiado e procuro manter meus dois pezinhos atrás, pra tentar ao menos evitar quebrar a cara e não é que ainda assim conseguem me surpreender? Pior que meu problema de, por vezes cair na tentação da expectativa, é o de não conseguir ser a mesma pessoa depois da frustração, decepção, ou seja, lá o raio de sensação que eu venha a sentir.
É meus caros, perdoar talvez realmente seja um ato divino. Pena que há muito perdi minhas asas!


AS ESCOLHAS DE UMA VIDA - PEDRO BIAL
A certa altura do filme Crimes e Pecados, o personagem interpretado por Woody Allen diz: "Nós somos a soma das nossas decisões ". Essa frase acomodou-se na minha massa cinzenta e de lá nunca mais saiu.
Compartilho do ceticismo de Allen: a gente é o que a gente escolhe ser,o destino pouco tem a ver com isso.
Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção, estamos descartando outra, e de opção em opção vamos tecendo essa teia que se convencionou chamar "minha vida". Não é tarefa fácil.
No momento em que se escolhe ser médico, se está abrindo mão de ser piloto de avião. Ao optar pela vida de atriz, será quase impossível conciliar com a arquitetura.
No amor, a mesma coisa: namora-se um, outro, e mais outro, num excitante vaivém de romances. Até que chega um momento em que é preciso decidir entre passar o resto da vida sem compromisso formal com alguém, apenas vivenciando amores e deixando-os ir embora quando se findam, ou casar, e através do casamento fundar uma microempresa, com direito a casa própria, orçamento doméstico e responsabilidades. As duas opções têm seus prós e contras: viver sem laços e viver com laços...
Escolha: beber até cair ou virar vegetariano e budista? Todas as alternativas são válidas, mas há um preço a pagar por elas.
Quem dera pudéssemos ser uma pessoa diferente a cada 6 meses, ser casados de segunda a sexta e solteiros nos finais de semana,ter filhos quando se está bem-disposto e não tê-los quando se está cansado.
Por isso é tão importante o auto-conhecimento.
Por isso é necessário ler muito, ouvir os outros, estagiar em várias tribos, prestar atenção ao que acontece em volta e não cultivar preconceitos.
Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, elas têm que refletir o que a gente é.
Lógico que se deve reavaliar decisões e trocar de caminho: ninguém é o mesmo para sempre . Mas que essas mudanças de rota venham para acrescentar, e não para anular a vivência do caminho anteriormente percorrido.
A estrada é longa e o tempo é curto. Não deixe de fazer nada que queira, mas tenha responsabilidade e maturidade para arcar com as conseqüências destas ações.
Lembrem-se: suas escolhas têm 50% de chance de darem errado mas também têm 50% de chance de darem certo. A escolha é sua.
Na música do Charlie Brown Jr eles dizem: Cada escolha é uma renúncia isso é a vida! E é. Esse texto é do Bial, mas eu com um teco de talento escreveria o mesmo, porque não há nada em que acredite mais... Enfim, o recado tá dado!
Bem, eu disse que voltava e cá estou, depois de minhas merecidas férias.... Acho que agora minha mente pode começar a pensar novamente a voltar a escrever!
Saudade de vocês é absurda, mas nem sempre o tempo facilita minha vida... Mas volto viu? Sempre volto!
Beijos
CA

