

Eram três vidas: três pessoas diferentes, cidades diferentes, famílias diferentes, criações diferentes, mas com o mesmo problema: está faltando alguma coisa, se sentem insatisfeitas.
Natália, solteira, 25 anos. Precisa viver apaixonada e pra isso paga um preço altíssimo. Entra e sai de relações, mergulha fundo em cada uma, dá o seu melhor, mas quando a rotina bate à porta ela não suporta e coloca fim em tudo. Sonha em encontrar alguém que a faça aquietar, formar uma família, filhos. Quer acordar sabendo como será o dia, sem tantas aventuras, sem tantos tropeços. Quer calma, paz, tranquilidade. (será?)
Ingrid, namora há quatro anos, 30 anos. Seu namoro já passou por tudo. Já foi loucamente apaixonada, já terminou, já traiu, já foi traída. Já se perdoaram, já recomeçaram. Foram tantas idas e vindas que hoje ela percebe que algo se perdeu. Será que ainda o ama? Percebe que ele não é mais o homem que ela amava, ou melhor, percebe que ela já não é mais a mulher que o amava. Ela evoluiu e ele ficou lá, quatro anos atrás. Mas se questiona tanto, não suporta trair às expectativas de todos, não suporta imaginar que lutou tanto por um amor que hoje mal sabe se exite. Quer que aquele amor se renove. (será?)
Carol, casada há dez anos, 35 anos. Embora seu casamento já tenha passado por todas as fases e dificuldades comuns a um relacionamento diário e intenso, tudo está ótimo. Vida calma, já não têm mais as dificuldades financeiras do início, projetos em comum, muita afinidade, muito companheirismo, tudo muito tranquilo. Tranquilo demais. Ela sente falta de alguma coisa. Sente falta da emoção da Natália a cada nova paixão. Sente falta das dúvidas da Ingrid que a motivariam a mudar tudo. Sente falta de explosão. (mas será que explosão não seria sinônimo de insegurança e isso ela sabe que não sabe administrar?)
O que elas têm em comum embora nunca tenham se visto ou conversado? A necessidade de que seu sangue ferva. Que alguém ou alguma coisa entre pela janela do seu quarto e a faça mudar o rumo de sua vida. Sentem falta uma da vida da outra. Sentem falta de novas sensações de uma nova realidade. Não querem acordar com essa sensação de insatisfação, mas uma coisa elas não querem: Perder o chão, perder a proteção, perder a segurança e assim, esperam por um milagre, mas cá pra nós, milagres não existem. Esperam que qualquer fator exterior a elas mesmas mudem tudo.
E não tem jeito, uma paixão (seja um novo amor, um novo emprego, uma nova cidade) não vai entrar por nossa porta. Nós é que precisamos ter coragem de abrir mão de nosso mundo tranquilo e ir viver o mundo lá fora, mas que medo eim? Nos acomodamos até com o que é ruim, que dirá à proteção do que embora insatisfatório nos dá abrigo. É preciso arriscar e como tudo o que arriscamos, podemos ganhar ou perder, e sejamos honestos, ninguém quer perder.
O que fazer? Cada um, dentro de si, sabe exatamente onde seu calo aperta e até onde tem coragem de revolucionar sua vida. E você, está satisfeito com a proteção do seu mundo? Melhor não pensar? É, como diria aquele blogueiro que ficou famoso, pensar enlouquece!
(Bom estar de volta com meus temas... saudade de todos! Beijão! CA)

Já ouvi de muitas pessoas que quando tudo fica uma porcaria os amigos somem: que só estão por perto nos momentos de alegria. Engraçado porque comigo ocorre exatamente o contrário e já que aqui é meu cantinho e posso escrever o que quiser, confesso, isso me deixa extremamente chateada.
Incrível como as pessoas têm o dom de me procurar na dor. Em seu pior momento, naqueles onde a ferida está aberta, sangrando. Lá vou eu consolar, dar colo, carinho, afeto, mas o mais incrível é que de poucas - pouquíssimas, aliás, poderia tentar encher os dedos de uma mão e não conseguiria ¿ aparecem para a dividir as alegrias, pra contar do novo amor, do presente que ganhou, do carro que comprou, mas bastou à unha encravar, pronto, Carine na área novamente.
Nunca repensei esse modo de ser, até pq está em mim, ajudar. Nunca cobrei o retorno até porque não sou de pedir. Acredito sempre que vim ao mundo pra isso, nem sei explicar direito, mas talvez algo esteja errado. Às vezes, me sinto como aqueles santos, que bastou bater um desespero que vamos lá, fazemos promessas, choramos, acendemos velas, mas quando está tudo bem, tudo feliz nem pra agradecer voltamos, ou pior, nem aparecemos pra dividir as alegrias, mostrar pra ele como nossa graça foi alcançada.
Sou honesta em dizer: isso me incomoda e talvez eu mude um pouco isso. Talvez se me preservar mais, não mergulhando de cabeça nos problemas alheios, eu não me sinta triste quando perceber que alguns amigos não dividem comigo suas alegrias. Tem gente que promete fazer regime, ginástica ou ser mais paciente no próximo ano. Eu prometo me preservar mais.
Oscar Wilde disse "Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto". Concordo e eu, além disso, não quero só ser ombro ou colo: Quero ser também a alegria da vitória.. Honestamente se não for pra ser assim eu to fora. Acho que se tem uma coisa que a gente pode decidir em nossa vida é a forma que seremos e é assim que quero ser agora. Percebi que minha amizade não é filantrópica. Quero também as glórias de uma amizade. Esse negócio de só dar e não receber é coisa pra santo, e eu, honestamente to longe desse patamar.
Beijão e um grandioso 2006 pra todos!
CA
(obs: O post é meio denso, mas eu to ótima como podem ver o sorriso acima. Descansei uma semana só na base do sol, piscina, cerveja, churrasco e alegrias. O tema foi só pra enfatizar minha maior meta pra dois mil e seis!)

