Quarta-feira, Setembro 28, 2005

As escolhas da nossa vida







"A vida real não é feita de conquistas efêmeras, mas de relações que estarão lá para sempre. Marido, amigos, família, são eles que vão ficar do seu lado quando a empresa onde você trabalha não fizer mais parte do seu dia-a-dia.

Eu, como quase todas as mulheres da minha geração, passei por uma fase de dedicação total à carreira. Seguimos à risca os conselhos de nossa mãe: 'Seja independente, não dependa de marido!' Mas, para conquistar nosso espaço relegamos o emocional a segundo plano. Todas queríamos vencer como os homens, ter poder como os homens. Não me arrependo, sinto orgulho do que construí. Porém, se tivesse que dar um conselho a você, diria 'Vá com calma!'.


Dá para incorporar o que há de melhor nos dois. E, principalmente, ouvir nossa voz interior, que é a melhor guia. Foi o que fiz quando, depois de 18 anos na Rede Globo, mudei para o SBT. Até então, não consegui ir a um aniversário de amigos, nem jantar com a família.


Não via meu marido, Walter, a semana inteira! Chegava em casa às 2 da manhã; ele acordava às 7. Para que a gente se comunicasse, até comprei um quadro branco e instalei no quarto. Aí, anotava:'Amor, não esquece de fazer tal coisa. beijo, saudades'. O Walter lia, apagava e escrevia a resposta. Na sexta, ele me esperava e íamos deitar às 4 da madrugada.


Conclusão: o sábado começava às 2 da tarde e, evidentemente, acabava num piscar de olhos. Isso quando eu não tinha plantão e passava o dia no Rio de Janeiro.


Durante dois anos, tentei negociar um horário melhor. Até que cheguei ao limite do meu coração e repensei minha carreira. Você deve estar se perguntando : 'Como ter coragem para largar um emprego em troca da felicidade?' Bem, é preciso confiar na tal voz interior.


Nesse aspecto, tenho segurança, aprendi a acreditar na minha capacidade de trabalho. Mas não pense que não fiquei tensa! Chorei muito, tive noites de insônia, pois gostava do que fazia. Precisei da força do meu marido, que deixou claro: me apoiaria em qualquer escolha.

Acho que sem o Walter não teria conseguido ir em frente. Quando penso que só nos conhecemos há 3 anos... queria ter passado A VIDA ao lado dele.


Nossa história já começou especial: em abril de 2002, entrevistei-o para o Jornal da Globo e, depois da gravação, conversamos sobre trabalho, viagens. Contei que na semana seguinte ia para a a França, trocamos cartões e só. Quando já estava em Paris, eis que o telefone do hotel toca. Perguntei:

'Você veio para um congresso?

' A resposta: 'Não, vim te convidar para jantar'.

Casamos quatro meses depois. Sei que uma relação assim não brota em cada esquina. Também, hoje há um desencontro de papéis. Batalhamos para ter o que era de domínio masculino e eles ficaram perdidos. Acredito que num relacionamento bem-sucedido há o meio-termo. Mas, para isso acontecer, a mulher deve deixar o homem participar do seu universo. E GOSTAR disso!

Meus próximos planos? Me dedicar ao novo emprego sem abrir mão da parte pessoal. Ainda gostaria de ser mãe, sim, mas decidimos esperar um pouco. Já passei por quatro longos tratamentos para engravidar. Em um deles, perdi o bebê na oitava semana de gestação. Os médicos disseram que o meu horário de trabalho era um dos grandes obstáculos. Claro que, se acontecer, esse filho será muito bem-vindo. Mas o importante é que estou tão feliz! Tomara que você também consiga achar o seu ponto de equilíbrio e, assim como eu, não tenha medo de lutar por seus sonhos."

Por Ana Paula Padrão


Queridos, recebi esse texto ontem. Adoro a Ana, sou mega-fã e lendo isso me identifiquei horrores. Quando saí da escravidão do shopping na CVC foi em tudo isso que pensei. Estava vendo minha vida passar. Não era mais convidada pra festas porque enfim, eu nunca podia participar.

Pensem nisso. Pensem se vale à pena abrir mão de seus maridos, filhos ou mesmo perder o tempo de tê-los. Nossos óvulos envelhecem, não esqueçam, e por mais avançada que a medicina esteja, existem coisas que simplesmente não conseguimos mais.

Desculpem-me o sumiço. Estou de mau-humor, sentindo muita dor em meio ao tratamento ortodentário que estou fazendo. Depois de colocar o aparelho e descobrir como amava meus dentes antes disso, estou tendo que arrancar alguns pra que possa resolver meu problema de mordida aberta e isso está acabando comigo!! Como mal, durmo mal e sinto uma dor constante... Enfim! Ok eu sei que vai passar (todos dizem isso), mas enquanto não passa ficarei mais quietinha que de costume, tá? Arrancar 3 lindos dentões não é fácil - nem ficar sem comer, falar, sorrir.... Imagina isso pra mim?

Beijos grandes!

CA


Postado por Carine às 4:14 PM.

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Quarta-feira, Setembro 21, 2005

O que me move!






Em uma das cartas de Clarice Lispector a Fernando Sabino, na época em que morou na Suiça, ela disse que em Berna faltava um demônio - todos lindos, todos ricos, tudo encantador, tudo perfeito - opa! Perfeito não, como algo pode ser perfeito sem motivações? Deve ser por isso que nesses países "perfeitos" o índice de suicídio é enorme.

Resolvi voltar ao tema, por achar que minha opinião sobre o 'contentar-se' com a felicidade diante de uma conquista foi rasa e talvez assim sendo, parece confundir acomodação com gratidão e sensação de conquista. O que penso na verdade é que devemos sim vibrar e comemorar cada conquista, mesmo que a vida não esteja em seu todo perfeita (porque ela nunca estará, ao menos não para mim). Hoje compramos o carro novo, mas amanhã pensamos em ter a casa de campo. Compramos o laptop dos nossos sonhos, mas queremos um amor que nos faça querer esquecer do tal mimo nas noites de sábado à noite. O que falta conquistar é pra amanhã. Só hoje permita-se vibrar com a conquista, brinde, comemore!

Conversando com a Tam, que também é como eu - habitada como diria a Martha, repleta de demônios internos, indagações, dúvidas, angústias, incertezas, sempre intensas em tudo, por vezes nos deparamos com momentos assim, onde acabamos de conquistar algo grandioso e nossas inquietações mal nos permitem comemorar. Queremos sempre mais, esperamos sempre mais.

Assumo que preciso de motivos sérios que me façam levantar da cama e fazer a vida acontecer todos os dias. Algo dentro de mim clama por conquistas, por superações, por paixões, por vitórias. Não sei viver do morno, do sonso, do outono. Como disse a ela - que também é assim - ou o amor ou o ódio, o fogo ou gelo, o doce ou o salgado. O meio termo, a vida morna, o quase relacionamento, o sorriso sonso não me interessam. Quero vibrar, me apaixonar, quero acontecer, quero sentir meu sangue correr. É mais difícil viver assim? É, mas é só assim que sei ser feliz.

Mas mesmo tendo essa inquietação interna, de querer sempre mais, me permito parar e comemorar, mesmo que no momento seguinte já me encha de novos planos e sonhos. Um brinde ao que ainda virá.


Beijos,

CA

Ao som de Ira! e Pitty, eu quero sempre mais.



Postado por Carine às 5:51 PM.

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Terça-feira, Setembro 20, 2005

Entendendo a felicidade...





Pensei em escrever sobre essa mania que temos de sempre nos sentirmos incompletos em relação à felicidade. Comentei hoje com a Tam que ao invés de comemorarmos a felicidade que acabamos de receber, lembramos sempre que nos falta determinada coisa. Quando teríamos que comemorar a casa nova, nos vem a mente de que agora falta um novo amor.

Penso que temos que vibrar com cada conquista e lembrar que temos que subir um degrau de cada vez. Quando abri o word pra começar, dou uma fugidinha pra coluna da Martha do O Globo desse Domingo e não é que a mulher falava sobre isso? Então melhor do que eu, vou colocar seu texto na íntegra.

Razoavelmente felizes - Martha Medeiros, O Globo deste Domingo.

Lá vai ela, toda segura com seu casaquinho Chanel, comandar mais uma reunião da empresa, a superprofissional, mulher independente, decidida, bonita, bem-resolvida, com saldo invejável no banco, amigos diversos, saúde pra dar e vender. Ela é razoavelmente feliz. Seria estupidamente feliz se tivesse um cara esperando por ela em casa pra fazer uma massagem nos pés e dividir uma pizza. Está sem namorado desde antes de Cristo.

Que tal aquele garotão ali, não estará avulso, disponível? Não, não estará. O garotão sarado tem uma namorada linda, eles correm no calçadão todas as manhãs, parecem um casal de propaganda de leite desnatado, e não pense que são dois descerebrados: são inteligentes, belos, saudáveis, possuem um bom papo, estão de bem com a vida, adoram viajar pra Europa, comprar livros de arte e alugar DVDs. Mas não têm feito nada disso, correm no calçadão porque é de graça, nunca estiveram tão duros. Ela, arquiteta, está sem um projeto há cinco meses. Ele, engenheiro e igualmente desempregado, tem segurado a barra dando aula particular de italiano. Sabe quantas pessoas estão a fim de aprender italiano?

Aquela senhora ali quer. Está doente para aprender italiano. Já se aposentou, os filhos estão bem criados e distribuídos pelo mundo, e o marido segue na ativa em todos os sentidos. Ela nunca se sentiu tão linda depois que fez vários reparos faciais e vive num megaapartamento com vista para todo o azul e todo o verde da cidade, e o tempo que lhe sobra é igualmente escancarado: está lhe faltando um compromisso, uma ocupação, um sentido pra vida. Aprender italiano, fazer origami, um curso de roteiros, alguém lhe dê uma idéia que a deixe mais do que razoavelmente feliz, que a deixe insuportavelmente feliz.

"Vendem-se idéias", está no anúncio da agência de publicidade cujo dono é aquele sujeito ali bem de grana, bem de mulher, bem-realizado no ofício que escolheu, até meio famosinho por conta dos prêmios que abocanhou. Mas ele acorda com dores lombares, tem tido uns acessos de tosse, está com os dias contados, é no que pensa dia e noite, o coitado. Não adianta o médico dizer que sua saúde está perfeita e que vai chegar inteiraço aos 100 anos, ele se sente condenado, vive e ama como se não houvesse amanhã, igualzinho à música do Renato Russo. O cara vive razoavelmente feliz suas 24 horas de cada vez, mas seria diabolicamente feliz sem a hipocondria, sem as palpitações que não acusam nada além de ansiedade.

A felicidade é uma mesa de três pés, há sempre uma pendência. Equilíbrio total, todos os lados funcionando, nadinha pra reclamar? Impossível. A vida não teria a mínima credibilidade sem o pedaço que falta.


Que possamos administrar nossa felicidade, sabendo que não podemos ter tudo ao mesmo tempo e ao nosso tempo e que tudo tem sua hora e lugar pra chegar...

Beijão ! Grandiosa semana a todos!

CA


Postado por Carine às 3:31 PM.

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Segunda-feira, Setembro 12, 2005

Sou feita de amor




"Carine é alguém que ama muito e ama sempre. Que não desiste de você só porque você foi mal educado no café da manhã ou não correspondeu às suas expectativas (mesmo lutando para não criá-las) ou aos seus sorrisos."




Amo muito, incondicionalmente minha irmã e mãe, mesmo brigando todo dia, mesmo falando bobagens que me matam de arrependimento no dia seguinte, mesmo não sendo talvez a pessoa que elas mereçam. Da mesma forma, com a mesma força, amo muito meu marido, que por vezes parece não existir de tanta paciência, dedicação e carinho mesmo quando eu perturbo sua vida por ele ter deixado as latinhas em cima da pia ou colocado a toalha molhada sobre a porta. Que me ama mesmo nas crises de tpm, de medo, de inquietações e indagações, de maluquices. Que quando me abraça é capaz de tornar todos os problemas do mundo menores que uma formiga. Que é responsável pelo meu riso mais feliz e pela minha mais concreta força.

Amo muito minha família. Minha avó Dora que não desiste de mim, mesmo ficando semanas sem ligar ou meses sem visitá-la. Minhas primas e primos (os de longe, os de perto), em especial Gabi e Simone (que me deu a Lalá pra batizar) que sempre se fazem presentes com emails, telefonemas, carinho e admiração. Amo muito meus tios ¿ um que já não está entre nós e o outro que sempre está por perto com seu humor inteligente, tiradas engraçadas e agora com mais uma vida pra nos presentear, Daniel, meu mais novo priminho que mesmo dentro da barriga da Cris, já nos deixa tão felizes. Amo muito meu irmão Pedro bebê, mesmo ele sendo birrento e mimado. Amo ver seu amor pelo Zago, amo ver minhas covinhas e os olhos da Michele nele. Amo não com menos intensidade meu irmão mais velho Pedro, que mesmo não tendo meu sangue, tem meus cachos, o amor ao nosso time, e que nos prova que a maior ligação dessa vida é a de almas e não de sangue e é claro amo muito o meu padrasto, mesmo às vezes não concordando com as maluquices dele, amo muito o amor de pai que ele sente por nós e amo também meu pai, ao meu modo, ao meu tempo.

Amo muito escrever e como escrevo com amor só consegui conhecer pessoas lindas através de meu blog. Amo muito cada um que passa por lá e perde parte de seu tempo pra ler o que eu escrevo, pra comentar minhas bobagens, pra dividir minhas felicidades, pra chorar com as tristezas. Amo todos que pude conhecer, abraçar e conviver e também aquele amigo que não sei o rosto, que nunca pude abraçar, mas que tem por mim mais admiração e respeito que um dia pude sonhar em conquistar.

Amo muito, demais, sem limites minhas amigas, meus amigos. E esses são tantos e tão queridos que citar o nome de um e esquecer o do outro seria injusto. Meus amigos lá da Torquato, os do Dom Bosco, da Faculdade, da Soletur, CVC... Os amigos dos meus amigos, da minha irmã, do meu marido... Amo cada abraço sincero que sinto deles quando me encontram, cada e-mail ou recado que me deixam, cada sorriso ao me verem. Amo muito a família do Zago que me trata como filha, irmã e neta.

Amo muito Deus por Ter me proporcionado até aqui, uma vida de felicidade e amor. Que me mostra que mesmo nas adversidades podemos descobrir o amor mais sincero e verdadeiro. Que me dá a oportunidade de acordar cada manhã e fazer com que cada dia seja melhor que o outro e assim ter mais força pra enfrentar qualquer adversidade, dor ou dúvida. Que me dá diariamente provas de que sou abençoada e privilegiada por tanto amar e ser amada.


Postado por Carine às 4:05 PM.

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Quinta-feira, Setembro 08, 2005

Sol de Primavera





Sol de Primavera


Composição: Beto Guedes e Ronaldo Bastos

Quando entrar setembro
E a boa nova andar nos campos
Quero ver brotar o perdão
Onde a gente plantou
juntos outra vez

Já sonhamos muito
Semeando as canções no vento
Quero ver crescer nossa voz
No que falta sonhar

Já choramos muito
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar
Uma nova canção

Que venha nos trazer
Sol de primavera
Abre as janelas do teu peito
A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender



Embora a letra seja simples, tornando minhas palavras inúteis, vale ressaltar meu amor e reverência à primavera. Às sementes fortes que resistiram bravamente o inverno e brotaram em forma de flores com suas cores e perfumes.

Que cada um de vocês se faça primavera, que se colha o perdão, porque guardar mágoas só maltrata o espírito e o corpo. Que seu sonhos sejam refeitos não mais pautados em utopias, mas sim em projetos com raízes fortes e grossas, lembrando que é necessário sim ter a cabeça no céu, mas manter sempre os pés bem firmes na realidade...

E que nossas dores se percam em meio a beleza do que há por vir!

Que setembro traga enfim a boa nova!

Beijos enormes!

CA

Postado por Carine às 5:16 PM.

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Terça-feira, Setembro 06, 2005

Triste fim de um amor eterno






Ela disse que fez tudo o que podia para tê-lo em sua vida de forma concreta ¿ não se importou para adversidades, dificuldades, impossibilidades tão pouco com a opinião alheia. Foi lá e fez o que era preciso, mas nem tudo aconteceu como ela imaginava. Ele sempre disse que a amava e mais que isso: seus olhos também diziam quando se encontravam, ela podia sentir seu amor mesmo que nada fosse dito e por esse amor tanto lutou.

Ela fez planos, pro vezes imaginou como seu nome ficaria junto ao dele, como seriam os filhos, a casa, os cachorros. Ele no início também sonhou junto, mas algo depois se perdeu, não existiam mais planos, só declarações de amor perpétuo.

Anos passavam e mesmo quando ficavam distantes o destino arrumava um modo de colocá-los no mesmo lugar, na mesma hora. Quando ela não mais acreditava na possibilidade desse amor ele reaparecia, em ligações em meio a um show em pleno Nordeste só para dizer que nem lá ele conseguia esquecê-la... Aparecia com fotos de corações na areia de alguma praia paradisíaca dizendo que a amava. Enchia seu celular e e-mail com mensagens e letras lindas de músicas. E ela mesmo querendo dizer não, quando o encontrava sentia como se o passado de saudade e ausência não tivesse existido e quando o beijava, o mundo se tornava perfeito novamente, mas nos dias seguintes, à alma chorava.

E um certo dia ela descobriu que ele tinha uma outra pessoa. Conversou e ouviu dele que seu lugar em sua vida era insubstituível. E ela pensou tanto. E ela concluiu que deveria ser mesmo, porque afinal, quem mais se submeteria a tal vaga? Um lugar invisível, de solidão e abandono. Quem mais daria um amor incondicional? Quem mais amaria sem poder gritar aos quatro ventos seu amor?

E cansada de pensar (como também de acreditar em tolos sonhos, em declarações mentirosas) concluiu que o tal lugar insubstituível era no mínimo dispensável e que amá-lo foi uma ilusão e por que não dizer tolice. Que sonhou sim com o lugar substituível que a outra pessoa ocupa agora - ao seu lado nos passeios ao shopping, às tardes no cinema, aos vídeos com pipoca e chocolate quente nos dias de frio, nas viagens românticas de vinho e fondue e não lá no tal lugar insubstituível de silêncio e dúvida, esperando por ligações e se contentando com algumas noites e almoços espaçados. Ela que quis que ele fizesse uma loucura por ela, que mostrasse ao mundo que a amava. É, ela quis muito mais do que ele sonhou em dar.

Hoje ela me disse que sabe que sempre vai amá-lo (já que os amores verdadeiros não morrem, adormecem) e tem certeza que ninguém mais o amará de tal forma, com tanta dedicação e incondicionalidade, mas acima de tudo sabe que o amor que ele tinha a oferecer era muito aquém do que ela merecia e precisava pra ser feliz e sendo assim, hoje ela enterra esse amor - com todas as glórias que ele merece, flores, orações e choro, mas que não guardará luto: ele já foi guardado em vida. E a porta que sempre esteve entreaberta, se fecha.

Fiquei sabendo que ela resolveu dar mais uma chance pro destino e posso apostar que ela será feliz pelo simples motivo de saber que fez tudo o que era possível para que aquilo que sentiu não se perdesse e jamais terá a dúvida do "se". E ele? Nem eu nem ela sabemos.



Postado por Carine às 7:51 PM.

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Quinta-feira, Setembro 01, 2005

Apesar de tudo



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APESAR DE TUDO
26 de agosto de 2002 - Martha Medeiros é claro... rs


Apesar de tudo, continuamos amando, e este "apesar de tudo" cobre o infinito. Esta frase do filósofo Cioran expressa a extensão dos nossos obstáculos amorosos.

Apesar de termos acreditado na eternidade dos nossos sentimentos e depois descobrirmos que nada mantém-se estável por muito tempo, continuamos amando.

Apesar de termos sofrido noites inteiras por amores que não se concretizaram ou que foram vagos ou pueris, continuamos amando.

Apesar de termos sido rejeitados, apesar de o nosso amor não ter sido suficiente para encantar o outro e fazê-lo permanecer ao nosso lado, continuamos amando.

Apesar de todos os livros escritos, todas as sentenças filosóficas, todas as análises terapêuticas e todos os exemplos de paixões falidas, continuamos amando.

Apesar de não termos mais 15 anos e estarmos numa idade em que os outros acreditam que o nosso coração envelheceu, continuamos amando.

Apesar de a pessoa que a gente ama sentir por nós um amor de amigo apenas, um amor fraterno, um amor camarada que nada faz lembrar o amor ardente que a gente deseja e sonha, continuamos amando.

Apesar de a gente saber que o amor acaba, que o amor talvez nem seja pelo outro, mas apenas uma projeção do amor que a gente tem por nós mesmos, continuamos amando.

Apesar da falta de grana, das desiluções com a política, do cansaço no final do dia, dos projetos que não foram adiante, do tempo que nos falta e do medo que nos sobra, continuamos amando.

Apesar da chuva que não permite o passeio de mãos dadas, do espaço compartilhado que não permite privacidade, da desaprovação dos que nada têm a ver com o assunto, continuamos amando.

Apesar de ele ser casado, de ela ser mais velha, de ele ser humilde ou de ela ser estrangeira, continuamos amando.

Infinitamente, apesar de tudo e todos e apesar de nós mesmos.


Achei que esse texto encerrava o assunto do anterior, por isso quis colocá-lo (além de ser dos meus favoritos!)! Semana que vêm volto com meus temas... Já tenho dois novos (ufa, criatividade voltou, rs)

Beijos em todos, ótimo fds! Desculpe não tê-los visitado, mas essa semana foi pauleira!

CA


Postado por Carine às 3:09 PM.

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