Quarta-feira, Agosto 31, 2005

Santa Martha






MESMO ASSIM
09 de dezembro de 2002 - Martha Medeiros (só pra variar)


"Como é que você pode continuar gostando de um cara tão instável, que num dia te adora e no outro mal fala contigo?"
"Não acredito que você ainda está parado na desta garota. Cara, ela dá o maior mole pra todo mundo... tudo bem, é o jeitinho dela, mas, ó, te liga".
"Ele é muito querido, muito engraçado, mas também muito vadio: você vai passar fome ao lado deste homem!"
"O que adianta ela ser bonita, rapaz? Te trata como escravo".

É ótimo ter amigos, principalmente amigos que se preocupam com a gente. Mas, quando o assunto é amor, conselhos servem pra nada. Não que os amigos estejam errados, ao contrário: a gente sabe que eles estão com toda a razão, que eles estão vendo tudo aquilo que a gente finge não ver. O problema é que o amor não tem lógica. Você reconhece que a pessoa não serve pra você, mas a considera simplesmente a-do-rá-vel.

Você sabe que ela, ELA!, o grande amor da sua vida, é uma maluca de carteirinha, a maior viajandona do planeta, não diz coisa com coisa, e tem a estranha mania de se trancar no quarto por três dias seguidos, sem sair, sem abrir a porta, sem atender o telefone. Aí um belo dia ela sai e não dá a menor satisfação pra ninguém. Você consegue se imaginar vivendo com alguém assim? Não, mas também não consegue se imaginar vivendo sem.

E você aí, mulher. Enroladíssima com aquele cara, você sabe quem. Ele não tem o melhor caráter do mundo. Não tem o melhor currículo do mundo. Mas tem o melhor beijo do mundo e você, cada vez que ensaia dizer não, acaba dizendo sim, sim, sim. Porque você o ama. Mesmo ele sendo meio rude, meio ingrato, meio sonso. Mesmo assim.

Vou ficar torcendo para que nenhum desses exemplos caia como uma luva pra você. Desejo que tudo isso que foi escrito seja pura ficção pra você, que você nunca passe por uma doideira dessas. Mas não esqueça que doidas e doidos também são apaixonantes. Assim como os inconstantes e as ciumentas. E os alienados e as histéricas. Todos uma praga, todos cativantes. Ninguém está livre de topar com o cara errado e a garota mais encrenqueira, e amá-los muito, mesmo assim.


CA


Postado por Carine às 12:27 AM.

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Terça-feira, Agosto 30, 2005

Amor só não basta.






"Entre homens e mulheres que acham que o amor é só poesia, tem que haver discernimento, pé no chão, racionalidade.
Tem que saber que o amor pode ser bom, pode durar para sempre, mas que sozinho não dá conta do recado.
O amor é grande mas não é dois.
É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência.
O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta."


(Arthur da Távola com cara de Martha Medeiros e pensamentos e sentimentos de Carine Tebar)

Beijos, ótima semana,

CA


Postado por Carine às 1:05 PM.

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Quinta-feira, Agosto 25, 2005

Porque eu preciso de alguém.






Sem criatividade, talvez sem inspiração. Mas a Martha está passando o recado por mim! Bjs!!! CA

POR QUE PRECISAMOS DE ALGUÉM ?
29 de abril de 2002 - Martha Medeiros


Pode acontecer a qualquer hora do dia, de qualquer dia. Numa sexta-feira às 17h20m de uma tarde nublada. Você decide que não quer mais fazer o que faz, que precisa trocar de profissão ou trocar de país mas lembra que pra isso precisa de uma grana que não tem, o sonho de repente fica distante mas a angústia segue brutal, e então a solução: o telefone. Você liga pra pessoa que mais conhece você, que melhor decifra suas neuroses, e não é sua mãe nem seu psiquiatra: é ele. Aquela pessoa a quem você chama intimamente de amor.

Do outro lado da linha, o seu amor ouve pacientemente toda sua narrativa turbulenta e irracional, dá uma risada que não é de deboche e sim de quem já viu/ouviu essa cena duas mil vezes e diz: daqui a pouco eu tô aí e a gente conversa sobre isso.

Daqui a pouco passa rápido e ele chega. Você não está mais pensando exatamente aquilo que estava pensando antes. Aquilo evoluiu para um diagnóstico emocional torturante: você não vai mais trocar de emprego nem de país, simplesmente porque descobriu que é uma pessoa instável, maluca e com fraquezas que se revelam no meio de uma tarde nublada, e que sendo assim é melhor ficar onde está. Mas chora. Não vai perder esta oportunidade.

Seu amor lhe dá um abraço de urso, faz estalar sua terceira e quarta vértebras e fala que bom que você não vai embora, então que tal um cinema pra comemorar? Ao se olhar no espelho você se depara com uma mulher seis anos mais velha e 750ml de lágrimas mais inchada, mas antes que comece a chorar de novo, ele diz: tá linda. Vamos nessa.

O filme termina e você quer conversar. Mais calma, conta pra ele como é difícil pra você manter suas escolhas, que às vezes você gostaria de experimentar sensações novas mas é complicado abrir mão do conhecido em favor do desconhecido e, olha, juro, dessa vez não é TPM. Então ele diz que também sente isso às vezes, dá um puta beijo nela e, olhando bem no seu olho, diz: é TPM, sim, mas não tem importância.

Amor não é mais do que isso.


Postado por Carine às 1:41 PM.

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Segunda-feira, Agosto 22, 2005

Andei fazendo planos pra você!







Passeando pelo Orkut, uma comunidade me chamou muito a atenção "Andei fazendo planos pra você!" . Afinal, quem é que nunca fez planos pra alguém? Lá tinha a seguinte música da Daniela Mercury (Meu Plano):

Meu plano era deixar você pensar o que quiser
Meu plano era deixar você falar o que quiser
Coisas sem sentido, sem motivo, sem querer
Andei fazendo planos pra você

Engano seu achar que fosse brincadeira. Engano seu
Aconteceu de ser assim dessa maneira. Engano é meu
Mesmo sem motivo, sem sentido, sem saber
Andei fazendo planos pra você

Pra você eu faço tudo e um pouco mais
Pra você ficar comigo e ninguém mais
Largo os compromissos. Deixo tudo ao lado
Você tenta em vão me convencer
Que é melhor não fazer planos pra você

Meu plano era deixar você fugir quando quiser
Meu plano era esperar você voltar
Engano seu achar que o plano é passageiro
Engano meu
Acho que o destino antes de nos conhecer
Fez um plano pra juntar eu e você



Quem nunca passou por isso? Pois é, creio que a maioria... Concordo que muitos criam planos baseados em nada, apenas em sonhos, em desejos individuais, mas também existem aqueles que fazem planos por sentirem o amor da outra pessoa, mesmo que naquele momento existam muitos impedimentos, dificuldades...

O que importa é que normalmente planejar qualquer futuro além do teu, pode gerar uma bruta decepção. O engraçado é que como os sonhos e planos são só nossos, diante de pequenas coisas podemos mudá-los... Pode ser diante de um status de commited no Orkut, pode ser um reencontro que parece não dizer mais nada, ou então uma decisão pessoal de não mais sofrer, de não mais chorar em vão. Seja qual for o estalo (ou chacoalhão) que dê aí dentro, em algum momento você decide mudar o rumo das coisas e aí começa a fazer planos pessoais, palpáveis, realizáveis. E aí quem sabe, consegue diminuir o risco de decepções desnecessárias.

Beijos,

CA


Postado por Carine às 3:45 PM.

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Terça-feira, Agosto 16, 2005

Afinidade







Afinidade é um dos poucos sentimentos que resistem ao tempo e ao depois. Ela não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. É o mais independente.

Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades. Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que foi interrompido.

Afinidade é não haver tempo mediando a vida. É uma vitória do adivinhado sobre o real. Do subjetivo para o objetivo. Do permanente sobre o passageiro. Do básico sobre o superficial.

Ter afinidade é muito raro. Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar. Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas.

O que você tem dificuldade de expressar a um não afim sai simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.

Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam. É ficar conversando sem trocar palavras. É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.

Afinidade é sentir com. Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo. Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado. Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.

Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo. É olhar e perceber. É mais calar do que falar, ou, quando é falar, jamais explicar: ...apenas afirmar.

Afinidade é jamais sentir por. Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo. Mas quem sente com, avalia sem se contaminar. Compreende sem ocupar o lugar do outro. Aceita para poder questionar. Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.

Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças. É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidades vividas.

Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação. Porque tempo e separação nunca existiram. Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar. E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais, a expressão do outro sob a forma ampliada do eu individual aprimorado.


Afinidade só consegue ser explicada mesmo quando é vivida...

Beijões!

CA



Postado por Carine às 1:55 PM.

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Segunda-feira, Agosto 15, 2005

Quem procura, acha...






Por que será que custamos tanto a aprender? Se sabemos que determinada bebida nos faz mal porque insistimos em enfiar o pé na jaca? Aí vem a ressaca - daquelas péssimas, onde temos a certeza que não iremos sobreviver - e aí juramos que não vamos mais beber aquilo se conseguirmos ficar novamente de pé. Mas aí, bastou tudo ficar bem que nos pegamos cometendo o mesmo erro.

E como se não bastasse fazermos isso com a bebida (ou então com aquela torta de chocolate que comemos inteira e depois morremos de culpa pelos quilos que ela nos proporcionará), fazemos isso com nosso coração. Sabemos que não devemos rever algumas pessoas, que não devemos nos permitir novo envolvimento porque enfim, aquele sentimento já está lá adormecido, mas não, vamos em frente. Enchemos a cara. E depois morremos de ressaca.

O que fazer? Com bebidas e comidas é só criar vergonha na cara e juízo. Com as coisas do coração também não sei direito, mas manter a garrafa longe pode ser o melhor. Porque ressaca de bebida passa, mas o vazio que esse tipo de envolvimento deixa no dia seguinte não se preenche com nelsaldina e eno.

Beijos e boa semana!

CA


Postado por Carine às 2:51 PM.

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Sexta-feira, Agosto 12, 2005

Conclusões de Carine e Tâmara




( "Minha amiga-irmã, Tâmara)"




Da série, ler e reler pra nunca esquecer hehehehe....

Conclusões de Carine e Tâmara sobre o amor e os homens:

1 - Dizer que ama não significa nada. É o dia-a-dia que vai mostrar esse amor.

2 - Não dizer que ama também não é sinônimo de ausência de amor. Às vezes a pessoa pode demonstrar o sentimento em suas atitudes.

3 - Relações muito complicadas não são ruins apenas pelo relacionamento em si. Elas roubam nossa energia para as outras coisas. Pode reparar, o tempo que você está envolvido com uma relação desgastante pouco produz nas outras áreas da vida. É como se toda a sua energia ficasse voltada para brigas, problemas, dúvidas, etc e com isso nada mais na tua vida acontece porque de alguma forma você não produz, não realiza.

4 - Quem realmente se importa com você, quer tê-la em sua vida. E isso inclui amigos e família. Esse negócio de viver só a dois não existe pra quem ama. Queremos ter a pessoa por perto sempre e não apenas em jantares a dois.

5 - É importante estar ao lado de uma pessoa que te ama, que torce por você, que te apóia independente de concordar ou não, que te respeita e que você realmente sabe que pode contar. Não dá pra viver na dúvida se amanhã você vai ou não ver a pessoa. Se um problema surgir se a pessoa vai ou não estar ao teu lado. Isso não é relacionamento.

6 - A máxima "antes só do que mal acompanhada" deve ser sempre seguida.

7 - Conselho nem sempre é bom, mas é sempre bom prestar atenção em um.

8 - O amor nem sempre é racional, mas é necessário racionalidade para parar de sofrer. Certos amores definitivamente não foram feitos para serem vividos. Certas pessoas definitivamente não merecem nossa dedicação e amor. Certos relacionamentos simplesmente nunca darão certo. Há de se ter racionalidade pra entender e muita resignação para aceitar.

9 - Não somos perfeitos, sendo assim não devemos exigir perfeição de ninguém. Quem espera a mulher perfeita pra casar, vai envelhecer sozinho e o pior, morrendo de saudade daquela imperfeita que tanto o amou.

10 - Por mais que uma pessoa te ame ela não vai lhe esperar por toda vida. Não dê sopa pro azar.

11 - Valorize quem te ama. Sempre. (Amor de um só não mantém nada, exceto a sensação de solidão)


Não são conselhos, tão pouco um manual a ser seguido. São as nossas experiências que nos levaram a essas conclusões até porque ambas concordamos que viemos aqui pra sermos felizes, sendo assim estamos na luta.

Um ótimo final de semana... Bjs
CA


Postado por Carine às 3:10 PM.

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Quarta-feira, Agosto 10, 2005

Já que a semana é de festa...






Depois longos dois anos blogando e vendo toda minha lista de links ser indicada ao BON e What's Up, já apostava que minhas crônicas não eram o perfil do mundo blogueiro, sendo assim não receberia a indicação, mas já estava feliz a beça com meus mais de cem acessos diários, com as amizades verdadeiras que conquistei, enfim...

Mas o Bloggerman me achou e já que o fez e estou com vários novos tripulantes - sim tripulantes, porque o Temas é feito com a sua ajuda, com as suas sugestões de temas, com seus comentários, sendo assim não são meros passageiros... - irei colocar algumas das minhas crônicas preferidas.

Já adianto aos novos que escrevo MUITO, sendo assim se está com preguiça, corra esse não será seu blog preferido. Já pra você que gosta realmente de ler, acho que encontrou um bom lugar.

Aos amigos de sempre, que me fazem acordar todos os dias com mais vontade de escrever, muito obrigada pela presença diária e constante.

Beijos,





Sou pétala, flor e espinho...

No alto de nossa arrogância, prepotência e ignorância, insistimos em nos julgar superiores dentro do universo, afinal somos seres pensantes, não é?

Negamos o fato de que somos parte da natureza, assim como as chuvas e trovoadas, outonos e primaveras, vulcões e maremotos. Não observamos as borboletas e os pássaros, as lagartas e as sementes e nessa cegueira prepotente, as lições por serem tão simples, passam despercebidas.

Reconheci que sou parte disso tudo. Tenho a força dos furacões, a fúria dos terremotos, a doçura das colméias, o pavor das lagartas em seus casulos, a beleza das primaveras e a musicalidade dos rouxinóis. Sou cíclica assim como as fases da lua, as estações do ano e as marés. Começo a entender que tudo tem seu começo, meio e fim e que cada uma de suas fases tem sua importância. Até a lua cheia, no auge de sua beleza, pode ter seu eclipse.

Entendem de onde vem à palavra "amadurecer"? Eu, assim como as frutas, também tenho tido que passar por dias de sol, chuva, vento e paciência pra deixar de ser verde. E não tem jeito, tudo tem seu tempo e é bom que seja assim.

Hoje constato o que significa "é preciso chuva pra poder florir". Parece estranho pensar que precisamos passar por tempestades para que nossa semente possa absorver a água necessária para se fortificar, brotar e enfim merecer a beleza e o perfume da flor.

Mas minha semente é forte, embora já tenha duvidado disso. Assim como a lagarta, que pensou que iria morrer ao se ver presa em seu casulo, minha semente se assustou e entristeceu diante da tempestade, mas o sol, que às vezes custa a chegar, veio, e secou o excesso de água - e lágrimas - e enfim germinou a semente.

E hoje? Hoje ela começa a florir, assim como a lagarta que se viu borboleta e descobriu que nunca esteve tão bela e mais que isso, agora tinha o poder de voar, percebendo que às vezes o fim, o breu e o medo são só o começo.

Que você também possa sentir o perfume de suas pétalas, a beleza de suas cores e a leveza de suas asas. E que você possa ter a certeza de que ninguém é semente pra sempre, tão pouco lagarta.

Beijos em vocês.

CA


Postado por Carine às 12:42 PM.

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Segunda-feira, Agosto 08, 2005

Carta a uma amiga...






Antigamente escrevia muitas cartas, dezenas, acho que centenas... A vida ficou séria e corrida e elas ficaram no passado. Hoje, depois desse final de semana, minha amiga, senti vontade de lhe escrever.

Você que sempre busca em mim as respostas pras tuas dúvidas e dores, você que sabe que pode encontar sempre um colo macio e uma palavra que conforta, talvez estranhe saber que assim como você também tenho minhas dores, minhas dúvidas, minhas aflições.

Queria poder te responder o porque algumas pessoas abdicam de seu verdadeiro amor em nome de outras coisas. Verdadeiramente queria entender, pra poder te explicar como é que alguém vê em qualquer outra área da vida prioridade e urgência superiores aos seus verdadeiros sentimentos. Queria conseguir te explicar como é que alguém que você consegue ver o amor pela outra pessoa nos olhos, opta por não ficar com ela. Queria te falar que o tempo afasta as pessoas, ameniza, adormece e às vezes até mata alguns sentimentos, queria acreditar nisso também. Penso numa maneira de dizer-lhe que uma pessoa pode amar algumas vezes durante a vida e que já vi muitas dizerem que cada novo amor parece mais forte, intenso e verdadeiro que o anterior, mas de que jeito se vemos também que em outros casos, alguns amores resistem a tudo - tempo, distância, adversidades? Como entender que duas pessoas que se amam, se admiram, se desejam e parecem se pertencer não podem ficar juntas? Também não sei mana e pra falar a verdade parei de tanto me questionar.

Sabe mana, queria também que todos fossem como somos - verdadeiros com seus sentimentos, honestos consigo mesmos, que resolvessem enfrentar tudo e todos pra fazer valer o que sentem e querem, mas enfim, pra muitos acho que isso é quase impossível. Queria que soubessem, assim como sabemos, que a vida da gente é o que fazemos hoje, que daqui a cinco anos, tudo estará muito diferente baseado nas decisões e rumos que tomamos hoje... que um amor que dizemos não hoje por algum motivo pode virar lá na frente só uma doce ou amarga lembrança.

De tudo isso minha amiga, o que eu posso lhe afirmar com certeza é que estamos fazendo o que é certo. Lutamos e fizemos o que foi preciso para atingir nossos sonhos, tenha dado certo ou não - não economizamos sentimento nem luta. Certeza que daqui a uns anos, quando estivermos visitando o Marrocos, comprando nossos lenços, dando muitas risadas e recebendo os frutos de nossa autenticidade e perseverança em nossos sonhos, desejos e sentimentos, não teremos aquela sensação de vazio por não termos tentado nem a dúvida do que teria sido "se" tivéssemos tentado.

Amo tu, pra sempre! Juntas somos melhor que sozinhas. Juntas podemos mais, somos aliás, imbatíveis!


Bjs
CA

Up Date: Tâm, amiga-irmã graças a tua carta to no BON... TAM, graças a sexta inspiradora, também! Bjs !!!!



Aos novos tripulantes, sejam bem-vindos... bjão!




Postado por Carine às 5:49 PM.

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Sexta-feira, Agosto 05, 2005

SAUDADE!






Pra quem pediu pra que eu falasse de saudade... Ah, ninguém pediu? Pediu sim, meu coração!
Então segue um texto que recebi e outro da Martha que falam melhor do que qualquer texto meu.
Ótimo final de semana! Sem muita saudade, porque essa por vezes machuca né?
Bjão

CA


Sentindo saudade, Maine Virginia Carvalho

Saudade não se teoriza, se sente.
É presença da ausência.
Mas há saudade e saudade.
Saudade cruel e saudade doce, boa.
A saudade cruel é aquela do que está longe.
Do que vislumbramos, conhecemos até,
mas não temos dentro de nós.
Essa dói, machuca, tira o sono, maltrata, rouba o riso, modifica o olhar, entristece.
Mas não é saudade, de fato, é falta.
Falta do que, ou de quem não se têm.
Falta é verbo que tem cheiro de vazio, é lacuna; saudade é substantivo que se transforma em advérbio de intensidade, intensidade do sentir.
É sensação, é plenitude, é lembrança.
E somos afortunados.
Não há em outra língua verbete para traduzir esse sentimento.
Saudade boa, saudade, saudade, essa é doce.
Dói? Dói sim, mas não é cruel,
é uma dorzinha boa de sentir, leve,
que enche o peito, faz sonhar, sorrir,
eleva o olhar para o passado, gera suspiros e é,
como afirmei, presença da ausência.
É presença do que, ou de quem,
tivemos e teremos sempre dentro de nós.
Saudade é identificação da ausência.
E nada torna mais presente o que está ausente do que sentir saudades.

Saudade, Martha Medeiros

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.

Mas o que mais dói e a saudade. Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.

Doem essas saudades todas. Mas a saudade mais dolorida e a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.

Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá.Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde.Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.

Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é basicamente não saber.

Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio. Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia. Não saber se ela ainda usa aquela saia. Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada, se ele tem assistido as aulas de inglês, se aprendeu a entrar na Internet e encontrar a pagina do Diário Oficial, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua preferindo Malzebier, se ela continua preferindo suco, se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados, se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor, se ele continua cantando tão bem, se ela continua detestando o MC Donald's, se ele continua amando, se ela continua a chorar até nas comédias.

Saudade é não saber mesmo!

Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Saudade e não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer.

É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso... É não querer saber se ele está mais magro,se ela está mais bela.Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer.

Saudade e isso que senti enquanto estive escrevendo o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler...

Postado por Carine às 2:46 PM.

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Segunda-feira, Agosto 01, 2005

Amor a distância... Tema sugerido pela Dani e pela Lia (amigas lindas e queridas!)







Por algum motivo superior a nossa compreensão, acabamos encontrando muitas almas afins às nossas que moram muito longe... Ou como diria um desses sertanejos apaixonados, "longe dos olhos, mas dentro do coração"...

Tenho algumas teorias sobre a sobrevivência e o término de um amor à distância. Acredito que ele sobrevive mais do que se fosse um namoro comum exatamente pela ausência de presença. Esse amor sobrevive a rotina, crises de tpm, boteco com os amigos, brigas tolas porque ele olhou pras pernas da sua melhor amiga, discussões para escolher a pizza ou se vamos ao japonês ou à cantina... Não há desgaste.

O que ocorre quando estamos distante é que normalmente idealizamos uma pessoa muito diferente das de carne e osso - ela não tem os mesmos defeitos das demais. Como esse relacionamento vive de saudade, quando existe o encontro não há tempo pra tolices. Queremos aproveitar aquilo o máximo que podemos já que tem hora pra acabar e isso acaba passando uma idéia de que o relacionamento é perfeito, porque a pessoa é perfeita.

Infelizmente o motivo que nos leva a sustentar tal relação, a ausência de presença, é o mesmo que nos leva a torná-la insustentável. Explico... Saudade é bom, mas machuca, nos deixa carente, vulneráveis. Logo vem ciúme, dúvidas, ansiedade, enfim tudo o que não colabora com o amor.

Um relacionamento pede presença, pede cuidado. A Martha Medeiros diz que amor precisa ser exercitado, senão atrofia, e o pior, morre! Nos prendemos a esses relacionamentos porque vivemos de idealizá-lo, ilusioná-lo e temos a falsa idéia da eternidade. Tem um ditado árabe que diz que se você deixar seu cão com fome ele irá com quem lhe oferecer comida. É muito difícil sustentar uma relação que vive de ausência. Diferente da amizade, onde podemos ligar contar nossas felicidades, escrever nossas tristezas, o amor pede carinho, beijo na boca, mãos dadas, jantares, noites de amor.

E ainda crio mais polêmica. Será que não escolhemos viver esses amores à distância (assim como também alguns amores virtuais que já é outro tema sugerido) pra não encararmos amores reais, entregas verdadeiras, amores cotidianos? E mais, será que se vivêssemos diariamente com esse amor distante, a vida não seria outra? Será que ele sobreviveria à rotina? Também não tenho respostas pra tudo isso, tenho apenas pras minhas necessidades. Eu sei que eu preciso de presença, preciso da rotina, preciso das dores e das delícias de se viver a dois. E você?

Beijão em todos e excelente semana!

CA

Postado por Carine às 4:32 PM.

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