Sexta-feira, Maio 27, 2005

Nunca desista de você






Infelizmente não tive a oportunidade de estudar para depois trabalhar. Tive que seguir o caminho contrário e ralar muito para conseguir pagar minha faculdade.

No primeiro ano, trabalhava na Soletur num regime semi-escravidão. Tínhamos reuniões semanais em horários péssimos, como sete horas da manhã e sete da noite, que teminavam muitas vezes próximo das onze da noite.

Faltar numa reunião - que muitas vezes eram para falar blá-blá-blá - significava colocar seu pescoço na guilhotina... Eu como excelente profissional que sempre fui, nunca arrisquei até o dia em que marcaram uma reunião de última hora num dia de uma prova final da faculdade. Fiquei com medo das consequências, mas tinha minhas prioridades... Fui para minha prova.

No outro dia, recebi a punição. Minha diretora, em uma conversa intimidadora - ela era excelente em tal papel - me proibiu de vender pacotes internacionais, que na época eram o carro chefe da empresa. O saldo disso seria uma redução de no mínimo 40% em meu salário, já que minhas comissões seriam muito mais baixas. Em meio a tal conversa ela me disse "achamos que sua faculdade está atrapalhando o seu serviço, achamos que você deve repensar se deve mesmo continar com isso, já que não é a faculdade que paga seu salário"

Imagino que devam imaginar a minha indignação e revolta ao ouvir isso de uma filha de papai que ganhou a empresa de presente de formatura de ADM na GV, de uma pessoa que nunca foi questionada se devia ou não seguir seus estudos. De uma pessoa fútil e arrogante. Enfim.

Aquele dia fui pra casa me torturando. Eu sabia que a Soletur era a melhor empresa da área e que seria difícil sair de lá, já que precisava do meu salário, mas meu Deus, ninguém iria me dizer o que era mais importante em minha vida.

Conversei com todos em casa. Decidi acabar com tudo aquilo. Entrei em contato com uma pessoa da CVC e marquei uma entrevista. Segunda-feira, pedi minha demissão sob os olhos abobalhados das duas donas que nunca imaginaram que eu teria coragem, dizendo que eu não largaria meus estudos e sendo assim, como elas julgavam que estudar atrapalhava um profissional, eu não me encaixava mais naquilo tudo.

Terça-feira recebi a resposta da CVC. Estava contratada - para ganhar aproximadamente a mesma coisa. Nove meses depois que saí a Soletur faliu. Fiquei dois anos na CVC e mais uma vez, saí, arriscando uma nova empreitada - minha empresa.

Não abandonei meus sonhos e me formei. Segunda-feira passada recebi uma ligação de uma Universidade que tinha feito uma entrevista. Fui contratada para lecionar, enfim meu sonho realizado.

Hoje, além de ter a minha própria empresa, graças ao meu estudo e dedicação estou dando aulas.

Essa história é só para que vocês não desistam de si mesmo. Não importa o quanto difícil seja seu sonho. Não importa o que falem a você. Não importa que a maioria das portas pareçam estar fechadas.

Você não pode mudar o fato de ter nascido em uma família de poucas posses, você não pode mudar o fato de estarmos em um país que limita nossas possibilidades de sucesso, mas você pode sim mudar o curso de sua vida, acreditando em você, no seu potencial, nos seus sonhos, levantando todo dia de sua cama e fazendo a vida acontecer, em vez de sentar e lamentar do mundo ter sido tão cruel com você.

A sua felicidade é você que constrói, pode acreditar!


Queridos, um grande beijo. A ausência é devido a essa nova etapa da minha vida, mas precisava dividir com vocês esse momento de grande felicidade em minha vida.

CA

Postado por Carine às 4:23 PM.

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Quinta-feira, Maio 19, 2005

Sorte e escolhas bem feitas






Andava pensando como as pessoas reclamam da vida e colocam toda a responsabilidade na falta de sorte: - Ai que triste é minha vida, não tenho sorte com os homens, não consigo me manter num emprego...

Como se a sorte fosse a engrenagem da vida.

Viramos às costas ao fato que, a maioria das situações que vivemos, é fruto de escolhas que fazemos... Então antes de culpar o mundo por não ter te dado o Fábio Assunção de namorado, veja o que anda fazendo pra atrair tantas tranqueiras em sua vida! Melhor que eu, pra falar disso, é a Martha Medeiros, então, fiquem com esse texto que está excelente. Beijos em vocês, CA

Pessoas consideradas inteligentes dizem que a felicidade é uma idiotice, que pessoas felizes não se deprimem, não têm vida interior, não questionam nada, são uns bobos alegres, enfim, que a felicidade anestesia o cérebro.

Eu acho justamente o contrário: cultivar a infelicidade é que é uma burrice. O que não falta nessa vida é gente sofrendo pelos mais diversos motivos: ganham mal, não têm um amor, padecem de alguma doença, sei lá, cada um sabe o que lhe dói. Todos trazem uns machucados de estimação, você e eu inclusive. No que me diz respeito, dedico a meus machucados um bom tempo de reflexão, mas não vou fechar a cara, entornar uma garrafa de uísque e me considerar uma grande intelectual só porque reflito sobre a miséria humana. Eu reflito sobre a miséria humana e sou muito feliz, e salve a contradição.

Felicidade depende basicamente de duas coisas: sorte e escolhas bem feitas. Tem que ter a sorte de nascer numa família bacana, sorte de ter pais que incentivem a leitura e o esporte, sorte de eles poderem pagar os estudos pra você, sorte por ter saúde. Até aí, conta-se com a providência divina. O resto não é mais da conta do destino: depende das suas escolhas.
Os amigos que você faz, se optou por ser honesto ou ser malandro, se valoriza mais a grana do que a sua paz de espírito, se costuma correr atrás ou desistir dos seus projetos, se nas suas relações afetivas você prioriza a beleza ou as afinidades, se reconhece os momentos de dividir e de silenciar, se sabe a hora de trocar de emprego, se sai do país ou fica, se perdoa seu pai ou preserva a mágoa pro resto da vida, esse tipo de coisa.

A gente é a soma das nossas decisões, todo mundo sabe. Tem gente que é infeliz porque tem um câncer. E outros são infelizes porque cultivam uma preguiça existencial. Os que têm câncer não têm sorte. Mas os outros, sim, têm a sorte de optar. E estes só continuam infelizes se assim escolherem.


Coincidência ou não esse post tem um ano e fala exatamente o que acordei em mente. Como ele diz tudo nao preciso acrescentar nada. Um ótimo final de semana que o meu será incrível! Beijos

CA


Postado por Carine às 12:39 PM.

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Segunda-feira, Maio 16, 2005




"A cada dia que vivo,

mais me convenço de que o desperdício da vida

está no amor que não damos,

nas forças que não usamos,

na prudência egoísta que nada arrisca

e que, esquivando-se do sofrimento,

perdemos também a felicidade".



Carlos Drummond de Andrade





Arrisque mais, ame mais, viva mais!

Porque eu? Eu to vivendo!!!! Quarta-feira post novo com texto meu, ok?

Grandiosa semana!

CA

Postado por Carine às 12:40 PM.

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Quinta-feira, Maio 12, 2005

Mais um post da série 'o que a vida me ensinou'







Das coisas que aprendi do amor, que escrevo pra nunca esquecer (já que foi tão difícil entender!):

- Em uma relação nunca se faça muito pequena. Seja sempre do tamanho que é, pois quanto menor estiver, mais fácil de alguém esmagá-la.

- O amor que nós damos nunca é em vão. Quando amamos, uma corrente de coisas boas nos envolve e isso torna nossa vida muito melhor.

- O amor pode não vir das mãos de quem você esperava ou mesmo de quem você dedica o seu, mas nessa vida, tudo tem volta. O amor que você dá hoje, certamente voltará, às vezes pela mãos de quem você queria ou mesmo pelas mãos de quem você nunca sonhou. O que importa nisso é que certamente ele voltará no momento em que dele você mais precisará.

- Por mais que alguém saia da tua vida e leve suas esperanças, expectativas, sonhos e planos, ele nunca poderá levar o que você tem de melhor: sua essência, sua capacidade de amar, sua capacidade se envolver, de ser verdadeira consigo e com seus sentimentos.

- As vezes passamos a ver o mundo com olhos de desconfiança e dor, sem muita crença na humanidade porque convenhamos, o mundo inteiro pode ser bom conosco, mas bastou uma ou duas pessoas que nos são importantes nos traírem à confiança, serem ingratas ou insensíveis que tomados pela dor deixamos o brilho de nossa vida se perder, mas como eu disse pro Maucir, eu nesses momentos tento sempre ver além da minha dor. A maioria das pessoas não são más tão pouco egoístas, insensíveis e ingratas. Tenho muito mais motivos pra ser feliz que ser triste, afinal, felicidade é simples, assim como o sorriso de um bebê na fila do supermercado.

- Em relação àquelas pessoas que te fizeram mal, nem precisa esquentar. Assim como quando damos amor, o recebemos de volta, o mal também tem o mesmo poder. Mas aí problema de quem andou servindo-o em uma bandeja.

- Minha fé em mim mesma, na vida, nos homens e em Deus é inabalável e é ela sempre que me sustenta nos momentos de dor. Sempre.



Beijos em vocês, em especial a Tâmara e ao Maucir que me fizeram lembrar dessas coisas que tanto acredito.

CA


Postado por Carine às 4:10 PM.

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Domingo, Maio 08, 2005

Porque aprender à partir é necessário






Por que é tão difícil partir?

Por que insistimos tanto em nos manter atadas à relacionamentos e pessoas quando TUDO já deixou claro que não existem mais laços, mais planos, sonhos e afins?

Porque além do amor, que ainda insistimos em sentir independente se ele já tem outra, se apenas não te quer mais, ou mesmo quando nem ele sabe o que quer, existem outras tantas coisas que nos amarram aquele destruidor de corações.

Porque é muito difícil aceitar a morte de nossos sonhos, o fim de nossas esperanças e a frustração de nossas expectativas.

Porque aceitando o fim, teremos aprender a viver uma nova vida que até então nem sabíamos que era possível, porque enfim, já tinhamos escrito o final de nossa novela e nela estava escrito que o final era feliz.

É difícil aceitar tudo que deixaremos de fazer. O aniversário de namoro que não vai acontecer, o cinema de domingo, cheio de pipoca e coca-cola que não existirá. Os filhos com os cabelinhos loiros dele e com seus olhos verdes que simplesmente não vão nascer. A casa cheia de cachorros no jardim e crianças pela casa que não passarão de um projeto. A viagem pro Marrocos que não sairá dos roteiros de viagens. É a morte do que não viveremos que mais maltrata. É o momento que entendemos que da novela que escrevemos, só sobrou o autor frustrado e a certeza de que dominamos tão pouco nossas vidas.

E isso tudo dói tanto que muitas vezes não nos libertamos dessas amarras emocionais, simplesmente por querer evitar a dor maior e aí, mesmo quando não mais existem esperanças, o medo da tal dor, nos faz viver com dores homeopáticas. Um pouquinho por dia, algumas vezes ao dia, todos os dias. E até acostumamos com ela. E se não tomamos um chacoalhão da vida, ela vai passando e nós permitindo que amargura e a tristeza nos sejam fiéis escudeiras.

Partir dói sim, mas é necessário. É necessário aceitar o fim para que então nossa vida siga em frente. Para que nossos sonhos e projetos sejam refeitos. Para que a alegria possa enfim voltar pra onde ela deve fazer moradia. Porque a vida, como disse Lenine, é rara. E o tempo? Ele náo pára.


*Para a Tam e para a Carol, minhas amigas amadas que eu sei que vão aprender a partir. Se eu aprendi, vocês também aprenderão.

Uma grande semana a todos!
Beijos
CA


Postado por Carine às 5:38 PM.

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Segunda-feira, Maio 02, 2005

Quem vive de migalhas é passarinho







Conclusões do quarteto Girl Power Total ( CA, Carol, Ju e Tendida) em um dos nossos mega-emails onde abrimos nossos corações e nossas mentes - pro novo, pro justo, pra felicidade e pra tudo o que nos pode tornar pessoas melhores

- Quem vive de migalhas é passarinho. Nenhuma pessoa pode sobreviver muito tempo a um relacionamento de disparidade. Muitas vezes nos contentamos com isso porque naquele momento nos julgamos merecedoras só daquilo, dominadas por problemas como auto-estima, amor próprio, etc.

- Pessoas que costumam nos dar só migalhas (homens ou mulheres com H/M minúsculos) normalmente são covardes, ausentes e distantes de tudo que é real e palpável. Pessoas que brincam de amar, são acima de tudo irresponsáveis e egoístas. Às vezes demoramos a perceber isso, mas ao perceber é como se nos libertássemos.

- Amor de verdade é quando sentimos que o outro nos admira, nos protege, é presente e constante. Não vive só de aventuras e irresponsabilidades. Amor de verdade é aquele cujos sonhos se parecem. É quando ambos lutam juntos pelos sonhos um do outro, respeitando e motivando suas realizações. Amor de verdade é sim aquele pautado na segurança. Me desculpe quem diz o contrário mas segurança num relacionamento é tão vital para sua sobrevivência quanto o respeito e amor.

- No final ficamos mesmo com quem os ama e com quem nos faz bem. Não adianta nada ouvir que é amada quando o que está sentindo mesmo é uma sensação de solidão. Ficamos com quem nos cuida com carinho. Aquele que nos deixa solta por aí e vez ou outra aparece pra dizer que ama, não merece nosso amor e dedicação. Repito o que não canso de dizer - alguns amores não foram feitos para serem vividos e algumas pessoas simplesmente não merecem nosso amor.

- Quando descobrimos que só merecemos o melhor, ou como disse a Carol "um brownie inteiro, com cobertura de chocolate, sorvete, chantilly, calda quente e macadamia nuts torradinhas por cima" e não as migalhas que alguns insistem em nos oferecer, paramos de nos aniquilar com meios relacionamentos que só nos permitem ter meios sonhos e conseguentemente meias vidas.


Mas sabem o que é o melhor de tudo? É que descobrimos mesmo que amor incondicional só por nós mesmas é à partir daí percebemos que podemos recomeçar. E que existem sim pessoas que merecem nosso amor e nossa dedicação, que não é porque tivemos relacionamentos capengas que não podemos ter relacionamentos inteiros e que amar é sim muito bom.

Excelente semana a todos. Desculpem-me os que aqui passam diariamente e nao encontram posts novos. Infelizmente não consigo blogar todos os dias, somente duas vezes por semana tá?

Beijos gelados (o frio ta bravo por essas bandas...)

CA


Postado por Carine às 4:11 PM.

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