Perdido?
E quem é que em determinado momento não se sente perdido? Sem saber pra que lado segue, sem saber por qual caminho terá mais chances de acertar o destino final? Eu assumo que vivo com isso a cada momento da minha vida e embora reconheça que meu medo de errar é maior que minha vontade de acertar, não estou mais disposta a sofrer às conseqüências de caminhos tortuosos que andei tomando nos últimos anos.
Sei bem que quem não arrisca não petisca, mas estou buscando me basear em minha intuição pra sentir os sinais que às vezes são tão nítidos, mas que tentamos não ver, (aquele papo de o pior cego é aquele que não quer ver), fugindo pra não ter que reconhecer que o que queremos nem sempre é o nosso melhor.
Sim amigos, momento básico de terapia em grupo. Talvez a tpm, talvez o dia cinza e frio que faz paisagem em minha janela, talvez o texto da Martha. Ou nada disso. Enfim...
Ótimo final de semana e obrigada pelo carinho e pedidos para que eu não pare de escrever.
Martha Medeiros
Caminhão
23 de agosto de 2004
Era um sábado à tarde. Eu estava num bairro estranho, com um endereço anotado num pedaço de papel, dirigindo meu carro e ao mesmo tempo cuidando as placas de sinalização. Parecia uma barata tonta, não encontrava a rua que queria. Nisso o sinal fechou e eu parei atrás de um caminhão, em cujo pára-choque estava escrito: "Não me siga que eu também estou perdido".
Comecei a rir da coincidência, tive vontade de descer e ir até a boléia abraçar meu companheiro de infortúnio. Somos dois, meu irmão. Aliás, somos mais do que dois. Somos muitos. Somos todos.
Para que lado eu dobro se quiser sair deste engarrafamento de emoções, se quiser ter um relacionamento único e estável, um amor que me resgate dos arranques e das freadas súbitas deste meu coração mal-regulado? Às vezes dá vontade de encostar o carro e fazer este tipo de pergunta para o casalzinho apaixonado que está aos beijos na parada de ônibus.
Devo seguir em frente, sempre pelo mesmo caminho? Tenho vontade de entrar numas ruas sem saída, descobrir o que elas escondem, mas e se eu me atrasar, e se eu me perder, e se ninguém der pela minha falta?
Subo a ladeira ou viro à esquerda? No topo da ladeira tem uma surpresa; no caminho à esquerda tem paixões e tudo o que elas acarretam de bom e de torturante na alma da gente, e aqui onde estou tenho segurança, mas estou estacionado, e estacionado eu não ando, eu não corro, eu não vivo, o que é que eu faço, que direção eu pego?
Você aí, saindo da padaria, pode me dizer pra que lado fica a juventude eterna?
Garoto, chega aí, você já ouviu falar em paz de espírito? Eu tô perto ou tô longe?
Pé no acelerador e sorte, caríssimos. Não sigam ninguém, que estão todos à procura também.